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As mães e o mercado de trabalho.

Neste final de semana, conversei com amigos empresários sobre a contratação de mulheres e a sua relação com a gravidez. Apesar de muito boa gente, eles tiveram uma visão bem simplista ao afirmarem que preferem não contratar mulheres porque, além dos custos gerados por uma licença maternidade, durante a gravidez a funcionária perde o foco, tendendo à piora depois que o filho nasce.

É um fato. A mulher, quando engravida, deixa de pensar 100% no trabalho e divide a atenção com tudo que uma gravidez exige. Mas, assim como o trabalhador se vê obrigado a se adaptar às mudanças do mercado de trabalho, o inverso precisa ser verdadeiro. Aí é que reside o xis da questão. Boa parte dos empresários brasileiros só pensa no imediato. No quanto sua receita está, ou pode ficar, no vermelho hoje. Nas contas a curto prazo.

Esquecem que mulher que trabalha gera renda, que esta renda movimenta a economia, faz girar o comércio e impulsiona a prestação de serviços. E que, com poder aquisitivo, ela se torna uma consumidora para comprar os produtos que eles mesmos fabricam ou os serviços que oferecem.

Também tem outra opção: com as mulheres fora do mercado de trabalho, os homens se tornam os únicos provedores da casa, arcando com o ônus da total responsabilidade financeira domestica, e elas voltam a cuidar da família, a fazer aulas de piano, cursos de arte, participar de grupos de leitura e ir a salões de beleza, como nos anos 50. Fora o fato de que, tendo mais tempo para cuidar de quem amam, as mulheres economizariam horrores em terapia.

Pensando bem, adorei. O fato é que aí, sem as mulheres como consumidoras, muitos destes empresários poderiam ir à falência ou ter o seu faturamento seriamente comprometido. Mas isso seria um problema dos homens, né não?

Efeitos das 34 semanas.

Como não dava pra ser tranquilo o tempo inteiro, agora, no finalzinho da gestação, eu estou ficando mais cansada do que o habitual. Dá uma fraqueza nos braços e nas pernas, o corpo fica sem forças e a falta de ar já faz parte da minha rotina.

Para dormir, a pequena não me dá aperreios. Como eu já disse, as mexidas são bem suaves, colaborando com o sono da mamãe aqui, mas como as posições permitidas estão mais restritas, eu acordo, vez ou outra, com dor no osso do mucumbê. Aí, mudar de posição, sempre me limitando entre esquerda e direita, é inevitável. Isso sem contar com a maldita culpa que leva você a achar que não está na posição mais confortável para a sua baby.

Fora que o ritmo aqui no trabalho não está careta. Sete horas da noite, horário oficial para sair da Ampla, virou nove e meia, os dois andares de escada que eu preciso subir até chegar na minha sala estão ficando cada vez mais cansativos e os meus pés estão começando a dar os sinais dessa reta final.

Não estou reclamando, porque comparado a outros problemas que muitas gestantes passam os meus são melzinho na chupeta. E o que importa, na verdade, é que ela está linda, com 45cm, 2.230kg, cabelinhos à mostra e muita saúde. No resto, eu me viro sem o menor sentimento de sacrifício.

Voltamos.

Eu e Helô estivemos ausentes por esses dias, mas o motivo foi nobre: tirei 20 dias de férias para botar ordem no quartinho dela. Fora o berço, a banheira e alguns brinquedos, ela não tinha nada, de modos que corria um sério risco da nossa pequena dormir no colchão das visitas. Agora, com algumas coisas prontas e outras encaminhadas, me dá mais tranquilidade em saber que ela não vai ter o mesmo fim dos meus amigos emanguaçados em noite de farra. A lista, próxima do interminável, ficou assim:

- Roupinhas: devidamente lavadas, passadas e ensacadas.
- Armário e módulo: sendo reformados pelo marceneiro, devem chegar semana que vem.
- Colchão do berço: comprado.
- Enxovais do berço: encomendandos, chegam até o dia 20.
- Quarto: pintado pelo pai, tio e algumas garrafas de Heineken.
- Brinquedos: lavados e ensacados.
- Bolsa de maternidade da baby: providenciada.
- Bolsa de materdade da mãe: idem.
- Camisolas e cintas: idem, idem.
- Som do quarto: comprado.
- Saquinhos de maternidade: ok.
- Bacias, baldes, varal e pregadores exclusivos: comprados.
- Móbile de berço: providenciado.
- Carrinho e bebê conforto: em andamento.
- Aparelho para tirar leite (odeio chamar de ordenha): providenciado.
- Roupinhas pra maternidade: metade ok, metade vamos herdar da tia.


Ainda falta cuidar de outros itens:

- Babá eletrônica: chega no final de março.
- Ar-condicionado: vamos comprar este mês.
- Sofá-cama para a babá: idem.
- Luminária: idem.
- Decoração da parede: falta enviar para o fornecedor.
- Fotos do bucho: vamos tirar antes do carnaval.
- Álbum da gravidez: falta imprimir as fotos.
- Chá de fraldas: do zero.
- Lençóis, toalhas e fraldas: em andamento.
- Cds com músicas para a baby: falta gravar.
- Kit bumbum: vamos ganhar da tia.
- Kit banho/troca (shampoo, sabonete, termômetro, escova, pomada, lenços umedecidos, algodão): esperando a lista da amiga Eudália.
- Cadeira de amamentação: minha irmã vai emprestar.

O resto, a gente vai providenciando de acordo com a necessidade. Ou com a disponibilidade financeira, o que é mais complicado.

Tentando não estressar.



Respira, baby, que vida de mãe publicitária não é moleza. Mas eu prometo que vou fazer de tudo para filtrar os problemas, ok?